Novo telescópio principal: Meade LX200R 12″

O Observatório Ophiuchus agora conta com um novo telescópio principal, um Meade LX200R de 12″ (304.8mm) de abertura, substituindo o Celestron C11 (279,4mm) que estava em uso.

Apesar da abertura maior, o principal motivo para a troca foi a óptica. O LX200R é na verdade um Schmidt-Cassegrain aplanático, ou seja, corrigido para aberração esférica e coma, enquanto o design tradicional possui coma. Esta aberração causa uma distorção nas estrelas afastadas do centro do campo, deixando-as com um formato de cometa e obviamente diminuindo a nitidez e qualidade da imagem.

A Meade corrigiu o coma usando um espelho secundário hiperbólico ao invés do tradicional esférico, além de usar a placa corretora para minimizar o astigmatismo decorrente da mudança. Existe um telescópio refletor que usa uma estratégia semelhante para corrigir o coma usando espelhos hiperbólicos, o Ritchey-Chrétien. Por esta semelhança, a Meade chamou seu novo design de “Advanced Ritchey-Chrétien“, como podem ver no anel de retenção da placa corretora nas imagens acima. O “Advanced” seria pelo astigmatismo reduzido e ausência de obstrução pelo suporte do secundário, gerando imagens sem spikes, embora tenha o inconveniente do esferocromatismo introduzido pelo uso da placa corretora.

No entanto, são designs diferentes e não demorou até que fabricantes de telescópios RC processassem a Meade pelo uso inapropriado do nome. Em 2008 chegaram  a um acordo em que a Meade se comprometeu a mudar o nome dos telescópios e parar de usar o termo Ritchey-Chrétien para catadióptricos. Então “Advanced Ritchey-Chrétien” passou a se chamar “Advanced Coma Free“, ou ACF, termo usado nos modelos atuais da marca.

A óptica ACF corrige bem o coma mas ainda tem curvatura de campo, embora esta seja diminuída em relação ao modelo tradicional. O Schmidt-Cassegrain aplanático da Celestron, os EdgeHD, usam uma estratégia diferente (lente corretora adiciona) e por isso podem corrigir também a curvatura de campo. Na prática é a única coisa que realmente diferencia ambos.

Ainda não tive oportunidade de testar muito o novo telescópio, mas me surpreendeu a qualidade mecânica do mesmo, incluindo a presença de baffles na parte interna do baffle primário que são muito eficientes. O estado de conservação também está excelente, a placa corretora está sem nenhum risco. Nada mal para um OTA produzido em 2007.

Outra coisa que chama a atenção é o adesivo da Company7, o que indica que provavelmente ele foi vendido inicialmente por esta loja. Por que isso é interessante? Porque a Company7 tem um sistema próprio de controle de qualidade para os produtos vendidos e apesar de não garantir que seja um exemplar excepcional, evita que seja um exemplar abaixo da média.

Por hoje é isso, o objetivo era mesmo apresentar o novo equipamento, em breve irei publicar observações e astrofotografias feitas com ele além de futuramente escrever uma análise completa.