Mak127, Mak180 e Celestron C8 - Aberturas

Sky-Watcher Maksutov-Cassegrain 180mm

Depois de possuir nada menos que 2 telescópios do tipo Maksutov-Cassegrain (90mm e 127mm), sendo o menor deles o meu primeiro telescópio “de verdade”, decidi ir para a maior versão oferecida pela Sky-Watcher: o 180mm!

Como podem ver eu gosto muito de catadióptricos (sistemas que empregam elementos refrativos e reflexivos), em particular dos Maksutov-Cassegrains. Para um cassegrain, apresentam pequena obstrução central (~30%), grande relação focal (f/12-f/15 geralmente) e consequente estreito campo visual, possuem uma excelente fama na área de observação planetária, as vezes comparando-os à apocromáticos de abertura ligeiramente inferior. Estando acostumado a campos estreitos desde o início e realmente tendo uma inclinação à observação e registro planetário, não foi difícil me tornar fã dos Maksutov-Cassegrains!

Tomada a decisão, adquiri o meu no Armazém do Telescópio, representante oficial da Sky-Watcher no Brasil, loja na qual comprei a maioria dos instrumentos que possuo, incluindo a montagem HEQ5 que seria utilizada com o futuro OTA. Em julho encomendei e em agosto estava com o Maksutov em minhas mãos. Hoje um OTA destes sai por volta de 3 mil reais e se comprado em conjunto com a montagem HEQ5, mais ou menos 5400 reais.

Especificações

  • Tipo: Catadióptrico
  • Design óptico: Maksutov-Cassegrain (estilo Gregory)
  • Abertura nominal: 180mm
  • Distância focal: 2700mm
  • Relação focal: f/15
  • Campo real máximo: 58′ (2″) e 34′ (1.25″)
  • Peso do tubo sem acessórios: 7.4 kg

O instrumento

O conjunto que adquiri incluía os seguintes itens:

  • Tubo óptico do telescópio
  • Diagonal de 2 polegadas
  • Ocular de 2 polegadas, 28mm LET (Kellner modificada) com 55º de AFOV (campo visual aparente)
  • Buscadora 8×50 com retículo comum

O telescópio é bem maior e mais pesado do que se imagina, mede meio metro de comprimento e pesa sozinho 7.4 Kg, o que é bastante se comparado a outros designs de tamanho semelhante, como o C8 XLT que pesa míseros 6 kg apesar da abertura um pouco superior. Este maior peso é esperado e deve-se ao maior comprimento do tubo e à maior espessura do menisco. O telescópio tem dovetail padrão vixen e tubo preto perolizado com partes metálicas em branco, a já clássica “Black Diamond” da Sky-Watcher.

O instrumento veio com a colimação praticamente perfeita, talvez necessitando apenas de ajustes leves, algo bem diferente do Maksutov 90mm que estava com a colimação bem pior. Ele é colimado através de uma célula com sistema push-pull, por 3 pares de parafusos que movem o espelho primário. O secundário não é colimável, uma vez que é fixo e trata-se apenas de uma superfície espelhada do menisco.Normalmente a colimação se mantém por muito tempo, a menos que o transporte muito e de maneira brusca, esta não será uma atividade rotineira com este telescópio.

A diagonal é de espelho, genérica e pesa por volta de 500 gramas. A ocular é um modelo raramente visto avulso, uma LET 28mm. Trata-se se uma Kellner modificada de 2 polegadas que fornece um campo aparente de 55 graus (3 a mais que uma Plossl comum). A qualidade da imagem é razoável e tem bom alívio de olho, serve para observações públicas e caso não tenha nenhuma outra ocular de qualidade superior ainda. A buscadora 8×50 com retículo é comum, sem diagonal, mas de qualidade boa, não perde fácil o alinhamento, tem foco mais ou menos preciso e comparado ao modelo semelhante da GSO, possui baffles para melhorar o contraste, um cuidado surpreendente para este tipo de acessório.

Mak127, Mak180 e Celestron C8 - Comprimento

Comparação de comprimento entre Mak127, Mak180 e C8

Problemas?

É conhecido e divulgado que devido aos baffles ou mesmo o dimensionamento incorreto do espelho primário, o Maksutov-Cassegrain de 180mm tem uma abertura efetiva inferior, por volta de 170-171mm. Fazendo o teste da iluminação inversa chega-se mesmo a este valor. Ainda que efetivamente tendo menor abertura que o especificado, apresenta um excelente desempenho na observação visual e também na astrofotografia planetária, como podem ver abaixo. Além disso, na questão de resolução propriamente dita, a perda de 180mm para 170mm é de apenas 0.045″ de arco!

Outro ponto frequentemente associado a este telescópio é o longo tempo de aclimatação. Aclimatação é o processo para atingir ou se aproximar do equilíbrio térmico do telescópio com o ambiente, a fim de diminuir a interferência na imagem formada. Como se trata de um tubo fechado e com vidros espessos (menisco e espelho primário), é esperado um tempo de aclimatação maior do que outros tipos de telescópios. Entretanto, é sempre bom ressaltar que há um certo exagero neste tipo de consideração, principalmente quando para nós aqui do Brasil. As noites por aqui normalmente não apresentam variações tão bruscas de temperatura, assim como não é tão frequente o uso de aclimatação em ambientes internos, principalmente no inverno. Em grande parte do hemisfério norte, que é de onde vem estes relatos, o clima é muito mais frio que o do Brasil e praticamente todas as casas contam com sistema de aquecimento. Daí temos que um telescópio destes passa o dia a 20ºC e de repente é levado para fora a -5ºC (aposto que nestas condições não tem nenhum amador fora de casa no Brasil! hahaha). É meio óbvio que o Maksutov nestas condições vai realmente apresentar notável dificuldade para aclimatar!

Por aqui, se as diferenças não forem absurdas, em 1h ele está usável. Você pode acelerar o processo utilizando algum tipo de sistema de ventilação, como o Lymax. Tenho um modelo para C8 que funciona perfeitamente no Mak180 e apresenta bons resultados.

O campo visual de um Maksutov a f/15 é também bastante estreito, menor que1 grau mesmo usando oculares de 2″, tornando uma contraindicação relativa para observação de objetos de céu profundo. Relativa porque a maioria dos objetos cabe com folga dentro deste campo, mesmo considerando catálogos populares como o Messier e Caldwell. Se pensa em observar as plêiades em um só campo é bom optar por outro telescópio!

Observação visual

Desde agosto tive pouco tempo para utilizar o novo telescópio. Os motivos variam do clássico tempo fechado ao meu trabalho em outra cidade e também à própria construção do observatório. Entretanto, nas poucas sessões em que foi possível utilizá-lo, me surpreendi com o seu excelente desempenho.

Uma coisa que você percebe logo é o nível de ampliação que este telescópio propicia mesmo com oculares de grande distância focal, isso devido a sua generosa distância focal de 2700mm (na pratica mais perto de 2800mm!). Isso traz algumas vantagens, uma vez que oculares de pequena distância focal geralmente possuem também pequeno alívio de olho (menos confortáveis e pior para quem usa óculos) e costumam ser mais caras, no Mak180 você pode usar uma ocular de 20mm e ainda apreciar a visão à 135x de ampliação! Com 10mm praticamente ultrapassa-se o limite imposto pela própria atmosfera na maioria das noites: 270x! Além disso, a alta relação focal propicia um bom desempenho mesmo com oculares baratas, que costumam apresentar muitos problemas em telescópios mais “rápidos”, como abaixo de f/6.

Com a Lua e planetas (testado com Júpiter e Marte) a visão é impressionante, com muitos detalhes e excelente contraste. Na minha última sessão tive a oportunidade de comparar lado a lado com o Celestron C8 XLT e posso dizer que visualmente a diferença é notável e à favor do Maksutov, apesar da abertura ligeiramente inferior.  Em objetos de céu profundo, mesmo não sendo sua especialidade, faz um bom trabalho, permitindo a visualização de nebulosas e galáxias mais brilhantes e dando show em aglomerados globulares, que ficam ainda mais fantásticos com um binoviewer!. Também apresenta um bom desempenho para observação de estrelas duplas.

Astrofotografia

Dada a relação focal f/15 é fortemente contraindicado para astrofotografia de objetos de céu profundo, seja pelo elevado tempo de exposição que exigiria, seja pelo pequeno campo real que apresenta. Para astrofotografia lunar e planetária a conversa muda, considerada a abertura, trata-se de um excelente instrumento para esta finalidade. A grande relação focal permite boas imagens mesmo sem a utilização de uma barlow. Abaixo deixo apenas alguns dos resultados obtidos com o Maksutov 180mm em uma noite de seeing médio:

Imagem de Rima Ariadaeus com o Maksutov 180mm

Rima Ariadaeus

Imagem de Abulfeda com o Maksutov 180mm

Abulfeda, Almanon e Tacitus

Imagem de Júpiter com o Maksutov 180mm

Júpiter

Podem ver mais na minha página no AstroBin (atenção ao telescópio na descrição, uma vez que lá existem imagens feitas com outros equipamentos).

Melhorias

Focalizador Moonlite e diagonal William Optics

Acessórios no padrão SCT (Schmidt-Cassegrain Telescope)

Os modelos atuais do Maksutov-Cassegrain 180mm estão vindo novamente com a rosca traseira no padrão SCT, assim como as versões antigas com tubo dourado. A vantagem em possuir este padrão está na possibilidade de utilizar acessórios projetados para os populares Schmidt-Cassegrains, como focalizadores externos, diagonais, redutores focais, etc. Nas versões entre o tubo dourado e os lotes atuais ele possuia uma rosca maior em tamanho próprio que exigia um adaptador específico para o Mak180. Nos modelos menores é necessário um adaptador para utilizar acessórios SCT, que até recentemente era produzido pela Orion.

Buscadora

Apesar de ser uma buscadora de qualidade boa, é realmente desconfortável utilizá-la em posições elevadas, próximas ao zênite. Como nem todo mundo é contorcionista, sugiro trocá-la quando possível por um modelo com diagonal, permitindo uma visualização mais confortável em todas as posições. Ainda estou avaliando opções para substituí-la, quem sabe até usar a que comprei especificamente para o C8.

Diagonal

A diagonal é frequentemente indicada para ser trocada quando possível, trata-se de uma diagonal comum de baixa refletividade e que ainda diminui com o tempo. Mudar para uma com revestimento dielétrico (99% e durável) e alguma garantia também na qualidade do espelho é benéfico, principalmente se vai usá-lo para objetos de céu profundo. No meu caso optei pela diagonal dielétrica da William Optics, em fibra de carbono, também de 2 polegadas. Gostei bastante desta diagonal por ser mais leve que a original e pelos anéis de compressão não apresentarem qualquer problema para colocar ou retirar as oculares, algo que já aconteceu com outros modelos de 1.25″ que tive.

Focalizador

Assim como em outros catadióptricos, a focalização do telescópio é feita pela movimentação do espelho primário. Isso permite um curso de foco bastante grande, permitindo o uso quase indiscriminado de acessórios como redutores focais e binoviewers. Porém, com os grandes aumentos empregados no Mak180, é difícil conseguir um foco realmente preciso com o focalizador padrão, além de apresentar um problema notável conhecido como “mirror shift” ou “image shift”, que consiste no movimento do objeto observado ao mudar a posição do focalizador, isso se torna mais irritante em grandes ampliações ou durante obtenção de imagens planetárias. Felizmente isso pode ser corrigido com o emprego de um focalizador externo e graças à rosca SCT, temos várias opções.

Há desde as mais baratas como o crayford da GSO (~$130) até algumas mais caras como as da Baader, Moonlite e JMI. Eu acabei optando pelo Moonlite, pela fama que carrega e o fato de conhecer pessoas que o utilizaram justamente com este telescópio. Estes focalizadores são encontrados apenas no exterior por enquanto. O Moonlite básico sai por $245, enquanto que o completo sem motorização sai por $370 (versão que possuo).

Estes focalizadores substituem o visual back original (SCT-2″) do Mak180 e são utilizado exclusivamente para obter o foco preciso, portanto, possuem curso bastante pequeno e não dispensam o uso do focalizador original do telescópio. O procedimento consiste em obter foco com o focalizador original e só então utilizar o externo. A diferença é notável, fica incrivelmente mais fácil de se conseguir foco, mesmo com grandes ampliações, seja no visual ou no CCD. Esta melhoria é altamente recomendada para qualquer catadióptrico que não possua um focalizador preciso com redução por padrão!

Protetor de orvalho

Dew shield Astrozap no Maksutov 180mmMaksutov-Cassegrains possuem o menisco na extremidade do tubo sem qualquer nível de proteção, deixando o mais propenso à formação de orvalho nas noites mais úmidas. Já tive noites perdidas com o Maksutov 127mm e 90mm onde foi necessário empregar o famoso secador de cabelo para evitar deixar marcas no menisco! Para evitar isso, normalmente basta a utilização de um protetor de orvalho (dew shield, em inglês). Se trata de uma prolongação simples do tubo para evitar que o menisco fique completamente exposto, você pode fazer com algum material flexível ou comprar pronto. Como no 180mm a abertura é grande e tinha poucas opções de materiais, optei por uma versão pronta, específica para o Mak180, feita pela AstroZap. Trata-se de um material flexível com a parte interna escura e antirreflexiva com um sistema de fechamento com velcro, bastante simples e prático.

Conclusão

Como podem ver, o Maksutov-Cassegrain de 180mm da Sky-Watcher é um excelente instrumento, apesar dos pequenos problemas, melhorias sugeridas e limitações de seu design. Quem procura uma solução compacta para observação visual, principalmente planetária, estará bem servido com este 180mm, possuindo bom contraste e permitindo a observação de vários detalhes quando a atmosfera assim o permitir. Além disso, desde que considerada sua classe de abertura, consiste num excelente instrumento para se iniciar na astrofotografia planetária.

Mesmo possuindo um telescópio C8 XLT, com abertura ligeiramente maior e mais versátil, tenho forte resistência em abandonar de fez este meu Maksutov e no momento pretendo manter ambos em serviço! Maksutov-Cassegrain é o tipo de telescópio que normalmente se ama ou odeia, este é meu terceiro, então sabem de que lado estou!

Até mais e céus limpos! 😉

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